Carros elétricos são tão pesados que Brasil deve mudar regras da CNH

Com baterias cada vez mais pesadas, regra atual ameaça motoristas comuns, que precisariam de carteira tipo C para dirigir certos carros elétricos

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Volvo EX90, por exemplo, por pouco não exige CNH do tipo C dado seu peso bruto total (Foto: Volvo | Divulgação)
Por Tom Schuenk
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 23/03/2026 às 21h00

A Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 305/25, que eleva o limite de peso de veículos que podem ser conduzidos por motoristas com a CNH da categoria B. A mudança, voltada exclusivamente para modelos elétricos e híbridos, busca adequar o Código de Trânsito Brasileiro à realidade global da eletrificação, já que os pesados conjuntos de baterias fazem com que carros de passeio superem as restrições vigentes.

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Atualmente, a categoria B restringe a condução a veículos com Peso Bruto Total (PBT) de até 3.500 kg. O texto aprovado sugere um teto de 4.250 kg para automóveis com tração predominantemente elétrica. A justificativa do PL é compensar a massa adicional da tecnologia limpa, garantindo que o motorista comum não seja obrigado a mudar de categoria para guiar modelos com dimensões equivalentes aos tradicionais a combustão.

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A transição energética têm forçado governos em todo o mundo a reverem legislações logísticas e de trânsito. Esse movimento abrange não apenas o esforço para introduzir novas frotas comerciais extrapesadas — como os caminhões a hidrogênio que começam a estrear em países da América do Sul para descarbonizar o transporte de carga —, mas afeta diretamente o consumidor comum. Para este público urbano, o obstáculo legal concentra-se no PBT, índice que soma o peso do carro em ordem de marcha à sua capacidade máxima projetada de carga e de ocupantes.

Veículos impactados e o desafio do PBT

A manutenção do limite de 3.500 kg representa uma barreira comercial imediata para a chegada de uma nova geração de SUVs e picapes elétricas de grande porte ao mercado brasileiro. Veículos familiares de luxo, a exemplo do Volvo EX90 (com 3.390 kg de PBT) e do Mercedes-Benz EQS SUV (3.410 kg), já operam no limite extremo da margem legal.

Por outro lado, utilitários elétricos cobiçados como a Ford F-150 Lightning e a Tesla Cybertruck ultrapassam facilmente a barreira dos 3.600 kg. Pela regra atual de trânsito, a condução dessas picapes — mesmo para fins recreativos — exigiria a CNH da categoria C, habilitação estritamente voltada a motoristas de caminhões.

Apesar do avanço na comissão, a proposta ainda percorrerá um certo trâmite. O projeto precisa ser analisado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e, posteriormente, aprovado pelos plenários da Câmara e do Senado Federal antes de ir à sanção presidencial e entrar em vigor.

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4 Comentários
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Tiburtino Lacerda 24 de março de 2026

Espero que nossos legisladores permitam que o motorista com habilitação categoria B, conduza um CARRO DE PASSEIO, com peso máximo total superior a 3500 kg. Já estamos fartos da Anfavea, cuja ” maior inovação” para competir com os carros elétricos chineses, consiste em pedir ao governo que TASQUE impostos sobre esses veículos.Reduzir os preços das carroças, que os fabricantes ” nacionais” produzem e vendem a preços de limusines, NEM PENSAR!

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Gabriel 24 de março de 2026

Só o que almejo é que tornem possível a conversão para elétrico/híbrido de forma regular e sem essa besteira de CAT, CSV, e implementar ABS e airbags.

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Thiago Garcia 24 de março de 2026

Mais uma jabuticaba? Um condutor com CNH B não pode dirigir uma RAM 2500 por falta de habilitação técnica mas se ele sentar no banco de um carro elétrico ele ganha super capacidade de condução? Se é para mudar a lei que se mude para qualquer veículo com qualquer tipo de tração, ou que se altere a lei mudando de peso para categoria de veículo. Veículo de passeio no geral até 4250kg pode, veículo dotado de carroceria tipo carga não pode, por exemplo.

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Waslon 24 de março de 2026

É cada coisa sem lógica! Dirigir um EV é mais fácil que um ICE?

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